OLHARES
Como podes tu, um estranho acabado de chegar à minha vida, penetrar tão profundo nos meus olhos; como podes rebusca-los, remexê-los e supor todos os meus pensamentos, sem um pedido formal para entrar?
Apareceste devagar, num silêncio tão imenso que nem senti a porta a abrir;
Entraste, percorreste todos os compartimentos, olhaste fundo na minha alma.
E eu fui permitindo; sem perceber que o fazia, ou percebendo sem querer…
Entreguei-te as chaves, os códigos, os segredos mais secretos.
E enquanto me perguntavas, sem nada perguntar, eu respondia sem nada responder;
E tu, o estranho que nem se suporia capaz de olhar para a minha vida, entendias cada resposta que não te era dada.
Eu, incapaz de te afastar com o meu olhar, arrebatava-te absorvendo a sofreguidão do teu.
O fundo dos nossos olhos passou a ser uma verdade imensa.
Lá dentro, quem conseguir perscrutar, verá toda uma eternidade de beijos, e de desejos e de um amor incapaz de acabar.



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