TELA DE CORES
Pintei numa tela um fundo branco
E enquanto espalho as tintas na paleta
ela sussurra o teu nome.
Gosto do teu nome.
Sinto-o no suspiro do vento,
como se de saudade se tratasse.
Fixo o olhar no vasto retângulo
que não querendo ser apenas puro e calmo
anseia a exaltação das cores.
É urgente...
Adito o vermelho ao amarelo...
Um encarna o sangue,
O mesmo que te corre nas veias
e incendeia todo o meu ser... o outro
o apetite... a vontade voraz de que me possuas.
Depois pincelo contornos laranjas,
com o otimismo e entusiasmo
da paixão imaculada.
E concluo-te de azul - forte, calmo, sereno
O porto seguro que já não quero perder.
As cores escorrem pelos corpos transpirados,
E aquela tela nua de pudor, anuncia agora um ventre fecundo,
abençoado - "qui ça" o fruto do nosso amor.



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