A DANÇA DAS MÃOS
Foi ontem que nos cruzamos,
Não diretamente... ficamo-nos por beijos furtivos
compostos e inocentes.
Embora à volta todos os tons fossem motivos
das cores quentes do Verão.
Foi ontem que nos quisemos conhecer...
Sem indícios é certo, mas plenos de imaginação...
Apenas linguajares soltos e risos comprometidos,
Que por polegares e indicadores,
E um abecedário infinito,
Pulsavam protuberantes ondas de inquietação.
Ontem... por fim sentimo-nos...
E a pele, repetidamente imaginada, tornou-se toque.
E numa dança delicada deslizamos os dedos,
Antevendo o tanto que está para vir.
E entrelaçados, desatamos nós,
Partilhamos artifícios e escutamos sinais,
Como duas mãos gémeas,Numa força obscena ao olhos banais.



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