"VEJO" COM AS MÃOS
Reparei, um destes dias, porque, ultimamente, reparo em coisas que até agora me passavam despercebidas, que a pele das minhas mãos já não é tão lisa.
Sinal do tempo – atrevo-me a pensar…
Obviamente, percebo que daqui para a frente, a flacidez e as rugas, farão parte de mim e que apenas cremes “milagrosos” poderão disfarçar.
No entanto, a ideia que, supostamente, me corroeria, apenas me faz sorrir.
Talvez porque assimilei - e bem, acredito - que o tempo é também sinónimo de vida, independentemente de como foi passado. E o meu tempo tem sido uma cabala de bons e menos bons momentos, como, de resto, o de todos os comuns mortais, e creio que tudo faz parte, se assim o aceitarmos.
A pele das minhas mãos já não é tão lisa, é certo…
Mas elas, já foram pequeninas e seguraram joaninhas que voavam; empunharam pincéis e lápis de
cor e pintaram destinos em folhas de papel, que tantas vezes rasgaram, porque, afinal, temos o livre arbítrio e estamos sempre a tempo de mudar. As minhas mãos foram curiosas, foram ávidas de tudo, foram serenas e ternas, mas foram, ademais, ríspidas e orgulhosas. Secaram lágrimas no meu e, em outros rostos, onde tantas vezes se espelhou dor ou, simplesmente, júbilo. Partilharam com pares, os passeios junto à praia; tocaram amores; empurraram vendavais.
A pele das minhas mãos já não é tão lisa, eu sei…
Mas, as minhas mãos “viram” os meus filhos nascer, quando as lágrimas em torrente cegavam os meus olhos, de tanta felicidade. Deram-lhes pincéis para pintar destinos e ensinaram a rasgar o que já não servia. Limparam-lhes lágrimas e partilharam, com seus pares, passeios à beira mar.
As minhas mãos, apesar de já não possuírem uma pele tão lisa, continuam a pintar, insistem em partilhar, e teimam em ensinar. Recebem, com gratidão, todos os ensinamentos que a vida ainda retém para mim e são, agora, ansiosas de nadas, porque aprenderam a aceitar.
Mas elas, já foram pequeninas e seguraram joaninhas que voavam; empunharam pincéis e lápis de
cor e pintaram destinos em folhas de papel, que tantas vezes rasgaram, porque, afinal, temos o livre arbítrio e estamos sempre a tempo de mudar. As minhas mãos foram curiosas, foram ávidas de tudo, foram serenas e ternas, mas foram, ademais, ríspidas e orgulhosas. Secaram lágrimas no meu e, em outros rostos, onde tantas vezes se espelhou dor ou, simplesmente, júbilo. Partilharam com pares, os passeios junto à praia; tocaram amores; empurraram vendavais.
A pele das minhas mãos já não é tão lisa, eu sei…
Mas, as minhas mãos “viram” os meus filhos nascer, quando as lágrimas em torrente cegavam os meus olhos, de tanta felicidade. Deram-lhes pincéis para pintar destinos e ensinaram a rasgar o que já não servia. Limparam-lhes lágrimas e partilharam, com seus pares, passeios à beira mar.
As minhas mãos, apesar de já não possuírem uma pele tão lisa, continuam a pintar, insistem em partilhar, e teimam em ensinar. Recebem, com gratidão, todos os ensinamentos que a vida ainda retém para mim e são, agora, ansiosas de nadas, porque aprenderam a aceitar.



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