DEIXA-ME
Dizer-te que senti a falta dessa entrega.
Deixa-me inebriar pela música,
Dançar nos teus braços,
Beber do teu copo, expiar esta dor…
E depois deixa-me contar tudo, em silêncio.
As minhas mágoas, as minhas esperanças,
Os meus sonhos perdidos, os que tenho acordados.
E deixa-mo dizer-to com a luz dos meus olhos,
Não peças mais… não esperes mais…
Deixa-me ainda vaguear pelas ruas cheias de gente,
Onde os risos se ouvem mais alto que as minhas lágrimas.
E ampara-me, para não cair, se beber um pouco mais,
Se por momentos - nem que por alguns - me deixe entorpecer
Porque o meu corpo necessita de êxtase…
Por fim… deixa-me despir-te…
de preconceitos, de pudores, de promessas, de roupas...
e deixa-me amar-te como se tu fosses "ele" e "ela" fosse eu...
como se os personagens já não fossemos nós.
E na entrega que fizermos a certeza de ser assim…
Eu e tu, solitários amantes, felizes talvez… nem que por instantes.
Deixa-me abraçar-te.



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