No ano passado, a minha filha mais velha era pequena. Tocava a campainha e num tom grave, aquele que lhe era tão característico, dizia “It’s me, darling”.
Depois abraçava-me e beijava-me e não queria comer sopa.
Dizia “hipópómoto” e adorava cinema. Quando a repreendia por algo que tivesse feito aconselhava-me a não ser tão “tramática”.
No mês passado, aprendeu a ler e a escrever e sonhava ser a Chibiusa e pelos poderes da Lua transformar o mundo.
Fazia do Shuster o seu cavalo, apesar de ser o seu Collie de estimação, e gostava de gomas … e de chocolates.
Não podia comer morangos, porque lhe faziam borbulhas, mas era “alérgica” a deixar algum para amostra.
Cantava com a Tshirt levantada a mostrar o umbigo e fazia poses para o André “de costas”, que supostamente adorava, e de quem recebia beijos fugazes, debaixo da mesa do ATL..
Na semana passada, ela percebia, finalmente, o significado de amizade, e de amor. E no seu dicionário não existia a palavra desilusão. Apenas palavras bonitas, que plasmava nos seus poemas, a transbordar de imaginação.
E gostava de música, e de cantar e do seu mundo, tão seu, no cimo das escadas, atrás de uma porta, onde se tinha de bater antes de entrar.
Ontem, a Kairi, que gosta do Japão e de Shushi e de Kingdom Hearts levantou asas e voou.
Na bagagem levou a curiosidade da criança, a teimosia da adolescente, e a força, misturada com o medo, de uma jovem repleta de sonhos.
Não quer crescer ainda, mas a vida encarrega-se de a empurrar!
Vai ter de abrir a sua porta ao cimo das escadas, vai perceber todos os significados que não estão no seu dicionário, vai rir e vai chorar e vai descobrir que apesar de tudo o que possa vir a acontecer eu estarei sempre aqui.
Hoje a minha filha pequena já é maior. Continua a não gostar de sopa.
Mas gosta da verdade, da justiça, da liberdade e do amor. E dos amigos ….
E dezanove anos depois de a ter visto pela primeira vez, continuo a emocionar-me quando olho para ela. Porque a “Kairi” é e será para sempre “a minha menina”.
FELIZ ANIVERSÁRIO

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