CRÓNICAS DE HERMENGARDA MAE

Hermengarda Mae não era, de todo, uma “Megan Fox” ou uma”Miranda Kerr”, mas era uma mulher possuidora de “quelque chose” capaz de produzir em alguns olhares, mais gulosos, um desejo incontrolável.
Na casa dos quarenta, solteira e namoradeira, mantinha a fama de ter ficado para tia. E era-o na realidade.
Uma tia de 5 fantásticos sobrinhos, filhos da Fernanda e do Abel , os seus irmãos mais velhos, que faziam com que uma parte da sua vida girasse à volta daquelas criaturinhas levadas da breca. Levava-os muitas vezes à natação ou ao karaté, passeava-os no shoping e servia de “adulto acompanhante” quando os 3 mais velhos, porém menores, teimavam em disfrutar dos prazeres da noite, quais gingadores de tuta e meia.
Naquele fim de tarde, apesar da companhia, sempre bem disposta, da Paulinha e da Teresa, as suas melhores amigas, sentia-se incomensuravelmente só e infeliz.
Terminara no dia anterior uma relação tórrida, com um professor de alemão que conhecera lá na biblioteca onde trabalhava, na Universidade de Évora.
- Boa tarrde menina. Prrocurro o Urrfaust de Goethe. Poderria indicarr-me se há algum exemplarr disponível? – perguntara ele, num sotaque verdadeiramente “german”, capaz de tirar a respiração a qualquer tia. E ela era-o na perfeição!!
Fora a primeira vez que o vira.
E após uma subida ao escadote para aceder à prateleira de cima, onde se encontravam os épicos alemães, as pernas mais deslumbrantes daquela biblioteca ficaram a nu. Uma deliciosa imagem para o alemão, de meia idade, que ainda vivia com a mãe, e não estava habituado a visões daquela envergadura.
Quisera o destino que a nossa personagem se desiquilibrasse e caísse em cheio em cima do pobre homem, que ainda estava à procura da cabeça após tão magnífica visão.
Depois disso, um convite para jantar, para se redimir do deslize, e umas flores no dia seguinte, do babado alemão, com a seguinte mensagem: “Menina Herrmengarrda, disfrrutarr da sua companhia foi uma dádiva dos Deuses.”
Céus… tinha de dizer-lhe que todos a tratavam por Dada.


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